V Workshop Universitário de Recifes Fósseis & Modernos da Bahia

Jun 16, 23 • EventosNo Comments

Fui convidada pelas professoras Dra. Jessika Alves e Dra Elizabeth Neves para participar do V Workshop Universitário de Recifes Fósseis & Modernos da Bahia onde apresentei diversos projetos artísticos do Ecoarte.
Neste link tem o livro Na Trilha dos Carbonatos com todos os resumos do evento: https://heyzine.com/flip-book/2f64bcd508.html

Veja o resumo expandido abaixo.

Ações artísticas por nossos mares

Karla Brunet

Apresento um pouco dos projetos realizados pelo Ecoarte e a ideia de pertencimento ao mar. Falo de “nossos” mares porque sempre achamos que o mar que está a nossa volta é nosso e que os outros mares não nos pertence, são dos “outros”. Entretanto, todos os mares são nossos, os mares se conectam, são um só. Os mares fazem parte de uma única água, de um único lugar, de um único planeta. Proponho aqui uma arte para pensar os mares como um todo, uma entidade, e só assim teremos responsabilidade por eles, afinal são “nossos mares”.

Começo esse percurso pelas ações artísticas apresentando um dos primeiros projetos realizados no Ecoarte, o Geografias do Mar #ilhas. Nesse projeto tentamos perceber o mar das ilhas perto de nossa cidade e criamos uma cartografia dos caminhos pelo mar para chegar nestas ilhas. Trabalhamos com dados físicos do mar do departamento de cenografia da UFBA e com os dados da Nasa, do NOAA. Depois disso, realizamos o projeto Ma:res onde coletamos narrativas orais e audiovisuais sobre o mar do entorno de Salvador. Já numa terceira fase, no projeto Sensorium – do mar para o rio, utilizamos o conceito de ciência cidadã para coletar nossos próprios dados do meio ambiente e do mar da Baía de Santos e do Rio Paraguaçu. Criamos intervenções urbanas tanto em Salvador quanto nas cidades de Cachoeira e São Félix. Na sequência, criamos uma exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia com a documentação desse projeto, visualizações de dados e obras interativas.

Seguindo pelos mares do mundo, no projeto Marine Time, trabalhamos com noções de tempo nos mares do Norte e Báltico. Fruto de uma residência artística que participei na Noruega, Suécia e Lituânia, o projeto recria um mapa em mosaico desta experiência e discute os usos e percepções destes mares por entrevistas e coleta de narrativas. Alguns anos depois, em outra residência na costa do Báltico, desta vez na Letônia, criei a performance de Live Cinema, Borders, para discutir as questões de fronteiras e demarcações da região de Roja.

De volta na Baía de Todos os Santos, criamos uma residência artística no mar chamada Velejar – Arte e experiência no mar. O projeto consistia em sentir o mar da BTS desde um barco a vela, experimentar formas de estar no mar e construir uma obra de arte decorrente desta experiência.

Depois destes mares, as correntezas me levaram para um mar longínquo, o oceano Austral, na Antártica. A bordo do Tio Max com a Marinha do Brasil e colegas cientistas da UFBA, UFPE e INPE, criei diversas obras sobre estar neste mar gelado. Apresento aqui a Antártica Tempo, uma performance de  Live Cinema de arte e ciência resultante da expedição de quase 60 dias à Antártica. A percepção desse lugar e o ritmo da viagem se mesclam com a pesquisa científica, minha visão subjetiva e o controle dentro do ambiente militar. É uma mistura de códigos – software e linguagem – que tentam traduzir a experiência vivida nesse local distante. São 10 minutos de performance audiovisual manipulando em tempo real essa mistura de dados, sons e imagens recriando a narrativa e experiências vividas durante esses dias na Antártica.

E para finalizar, trago um mar recente em minhas ações artísticas, o Mediterrâneo. Aqui, apresento dois mapas resultantes desta ação: o Não-Mar e o Deslocamentos Possíveis. O primeiro, Não-Mar é um mapa interativo online sobre uma busca por faróis. Em cada lugar das expedições artísticas pelo Mediterrâneo, busquei por um farol já que estes são o “anti-mar”, o “não-mar”. Era uma forma de entender esse limítrofe e de entender o mar. Os faróis geralmente ficam em pontos de difícil acesso, onde a terra pode se misturar com o mar e os navegantes se confundem. Era imprescindível visitar um em cada sítio pré-determinado da expedição. Precisava dessa experiência em cada um destes pontos do meu mapa. Afinal, os faróis sinalizam onde termina o mar.

Já o Deslocamentos Possíveis é uma cartografia audiovisual de percursos para perceber o Mediterrâneo. São os movimentos do corpo neste novo território. O caminhar, remar, nadar, mergulhar e navegar fazem parte desta simbiose com o mar, suas marés e correntes. Estes percursos foram o ponto inicial da ação artística proposta a repensar nossos modos de vida e subjetividade. Cada passo ou braçada remeteriam a pensamentos ou questionamentos sobre o território. O movimento começou no Delta do Ebro, passando por Malta, Valencia, Ceuta, Gibraltar, Ibiza, Formentera, Sardenha, Sicília e Chipre. Estes, foram os deslocamentos possíveis dentro de um mundo em pandemia, com poucos recursos econômicos e em solitário. As reflexões audiovisuais posteriores foram coletivas, editadas em grupo, mesclando diversos olhares e backgrounds culturais. A cartografia, navegada de forma linear (cronológica) ou não-linear, propõe uma desterritorialização e re-singularização do deslocamento artístico-político-ambiental.

Espero que esses projetos artísticos realizados no Ecoarte – e frutos de experiências em diversos mares pelo planeta – façam com que vocês também se sintam parte dos mares e que os considerem também seus, “nossos”.

Links:

 

Instagram do evento https://www.instagram.com/workshopderecifes/

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